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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

EXPERIENCIAS ESPIRITUAIS FABRICADAS

Olá Popinhaki,
Primeiramente, parabéns pelo Blog!
Quanto a mim! Sou ex-Mórmon...

Na igreja, várias coisa me incomodavam. Por exemplo, as experiências espirituais que os membros viviam contando… Algumas delas, eu sabia que não correspondiam exatamente aos fatos.
Teve até um membro da minha Ala, cuja história foi publicada na revista “A Liahona”. Eu sabia que a história real era diferente. Não que fosse uma mentira completa. A história  baseava-se em um fato real, mas com algumas adulterações.
Posso dar um exemplo de como manipular suavemente a verdade para se obter uma experiência espiritual… Vou contar  um fato ocorrido em minha missão. Em seguida, eu vou mostrar como foi que meu companheiro relatou a  "experiência espiritual":
A nossa área era muito grande. O que nos levou a concentrar nosso esforços missionários em apenas parte dela (aproximadamente, um terço do total).
Certo dia tivemos um almoço marcado em uma casa que ficava distante. De ônibus, levamos aproximadamente 45 minutos para chegar lá. Era numa região em que nunca havíamos feito proselitismo. Terminado o almoço, sem nenhum compromisso marcado para tarde, pensamos, se não seria o caso de aproveitar a oportunidade, uma vez que já havíamos nos deslocado até lá, de fazer proselitismo naquela região de nossa área.
Decidimos bater portas ali perto. Escolhemos uma rua sem saída, que tinha 5 quadras. Por se tratar de uma rua sem saída, ficava mais fácil de  lembrar onde já havíamos batido porta, se por acaso, futuramente,  fôssemos trabalhar com mais frequência naquela região.
Começamos então a bater porta! A maioria das pessoas recusava educadamente. Outras recusaram grosseiramente. Outras aceitaram marcar uma data para voltarmos e ensinarmos as palestras.
Houve o caso de algumas pessoas que estavam no jardim, mas quando nos viram, correram para dentro e fecharam as portas e janelas (não foi a primeira vez que  aconteceu isso na missão, e nem foi a última).
Quando faltavam umas 6 ou 7 casas, vimos um senhor varrendo a calçada, do lado de fora da casa. Falamos com ele, que aceitou ouvir as palestras naquele mesmo momento. Ele era aposentado e estava com a tarde livre. Era raro isso acontecer. Normalmente marcávamos para voltar outro dia.
Ensinamos a primeira palestra para ele e para a esposa. A esposa chegou a comentar que ele estava, nos últimos tempos, procurando uma Igreja para frequentar.
Isto foi o que aconteceu.
Naquela época, durante as reuniões de Zona, o Líder de Zona abria um espaço para que os missionários, que assim desejassem, contassem alguma experiência espiritual.
Meu companheiro, que era um "fabricante"  de experiências espirituais contou a história mais ou menos da seguinte forma:
"Tivemos um almoço marcado para uma casa que ficava distante, em uma região em que nunca havíamos feito proselitismo. Terminado o almoço, senti fortemente o Espírito indicando que deveríamos fazer proselitismo naquela região de nossa área.
Guiados pelo Espírito começamos a bater de porta em porta em uma rua sem saída, que tinha 5 quadras.
No entanto, algo incomum aconteceu, as pessoas começaram a nos rejeitar de uma forma mais grosseira do que o normal, inclusive houve o caso de algumas pessoas que estavam no jardim, mas quando nos viram, correram para dentro e fecharam as portas e janelas. Sentimos que o inimigo estava atrapalhando o nosso trabalho.
Pensamos em desistir, mas continuamos até o final. Justamente na última casa da rua vimos um senhor varrendo a calçada, do lado de fora da casa. Falamos com ele, que aceitou ouvir as palestras naquele mesmo momento.
Ensinamos a primeira palestra para ele e para a esposa. A esposa nos contou que ele, nos últimos tempos, estava orando para receber uma resposta Divina sobre qual Igreja ele deveria se unir. Creio que fomos enviados lá em reposta a essas orações."
Comentários a respeito:


Alguns "enfeites" colocados na história são subjetivos, como por exemplo dizer que sentiu a influência do Espírito Santo, ou que o "inimigo" estava atrapalhando. Outros pontos da "experiência espiritual" são falsos: a esposa de nosso pesquisador não disse que ele estava orando para saber qual Igreja deveria frequentar, e a casa dele não era a última da rua.
Esta questão, se a casa era a última da rua ou não, deveria ser irrelevante, mas parece dar mais dramaticidade à história, já ouvi outras experiências espirituais em que o missionário conseguiu achar o “pesquisador de ouro” justamente no último contato do dia...



Tem até o caso da conversão do líder Mórmon Pedro Brassanini. Conversão de Pedro Brassanini. (Clique aqui!)
Ver também: (Visita Inesperada!)


Nesse caso, a família de Pedro Brassanini foi contatada pelos missionários na última tentativa do dia.
O próprio título da história enfatiza isso! "The Family in the Last Farmhouse"
É claro que NÃO estou colocando em dúvida a história dessa conversão. Nem poderia, pois não tenho conhecimento dos fatos. Só acho interessante que numa história de conversão seja tão enfatizado, que foi a última casa em que os missionários resolveram bater à porta.
Mas, agora, voltando a minha história, vou contar o que aconteceu na sequência com o nosso pesquisador...
Retornamos para dar a segunda palestra, e somente ele assistiu, a esposa não quis mais. Ainda com a ausência da esposa ele parecia bem animado, na terceira palestra nós o convidamos para ir à Igreja, e ele disse que só iria depois que comprasse um terno.
Algumas semanas depois, no domingo, estávamos na capela e ele apareceu para a Reunião Sacramental, trajando um terno novo. Achamos aquilo ótimo, ele havia comprado um terno novo exclusivamente para ir até a Igreja.
Essa história da compra do terno gerou mais uma "experiência espiritual" contada pelo meu companheiro.
Algumas semanas depois ele se batizou. Achávamos que o batismo dele iria animar a esposa para se batizar também.
O nosso converso chegou a frequentar as reuniões durante 3 semanas após o batismo. Depois disso "sumiu". Fomos até a casa dele, e depois de "fugir" de nós algumas vezes, a esposa dele veio conversar conosco. Disse que ele  decidiu frequentar a “Igreja Assembleia de Deus”. Que não iria voltar para a Igreja Mórmon. Depois disso nunca mais os vimos.
Assim termina essa experiência espiritual.
Um abraço,

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